1.4.13

Lipoaspiração da papada - como foi


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Acho que corria a época dos Descobrimentos, algures em 1500, quando me olhei ao espelho e desejei não ter papada. Fizeram-me assim, entristecia-me, nunca me matou, mas sempre desejei não ter papada. Há anos que faço lista de pedidos ao Pai Natal e a lipoaspiração sempre constou das minhas listas. Não que eu esperasse que o Pai Natal descesse da chaminé com uma lipoaspiração na mão, mas as minhas listas de Natal sempre foram listas de desejos, uns mais concretizáveis que outros, mas sonhar não custa. E eu sonhei alto e consegui.

Sou agora uma mulher livre de papada, com um pescoço definido, um maxilar definido que não tinha e com uma auto-estima mais elevada. Presunção e água benta cada um toma a que quer, é certo, mas eu vou assumir aqui sem cerimónias que me sinto muito mais bonita. A diferença nas fotografias é abismal, estou melhor aos 30 do que estava aos 20.

Isto da papada é um mal de família, as mulheres não têm excesso de peso, mas uma senhora papada nota-se em quase todas. É genético, há gordura que se acumula em certas zonas por uma questão genética e, magras ou gordas, é gordura localizada que não desaparece por muito cuidado que se tenha no prato.

Comecei a escrever sobre isso no blogue em Novembro, à procura de opiniões, em busca da experiência de quem já tivesse passado pelo mesmo. Não sei qual foi o click que me fez decidir “vou mesmo fazer isto”, mas em Dezembro eu já estava absolutamente determinada, procurava apenas o melhor sítio. Com as vossas opiniões e a internet, fui trilhando um caminho que não foi a coisa mais fácil do mundo, pois não há UM relato de uma experiência semelhante na internet, de uma portuguesa, operada em Portugal, não há nada. Só há relatos para aumentos mamários e daí este meu testemunho para que possam ler.

Outra coisa que percebi, é que em Portugal a larga maioria das mulheres prefere esconder que se submeteu a uma cirurgia plástica. Eu quero mesmo contar tudo ao pormenor e poder ajudar alguém a tomar uma boa decisão.

Consultei mais do que um cirurgião. Eu acho que um cirurgião plástico deve ser bem pago, mas há preços que não compreendo. Deram-me valores que iam dos 1.800€ aos 3.500€ e eu hesitava no que fazer. Se era verdade que era muito dinheiro, também era verdade que queria mesmo ficar sem papada.

E foi neste altura que a leitora Helena me contactou e me deu uma sugestão: naquele mês tinha saído uma promoção na revista Happy: 50% no valor da lipoaspiração da papada, uma hidrolipo, mais exactamente. Com muitos anos de jornalismo de beleza, a Helena assegurou-me que a clínica era boa (obrigada, Helena!), deixei-me convencer e marquei uma consulta. Já conhecia esta clínica há anos das minhas pesquisas, mas nunca me tinha aventurado num contacto.

Confesso que fui com algum pé atrás, com algum preconceito. Esta coisa de cirurgias plásticas com descontos e publicidade faziam-me desconfiar, mas eu sabia que era preconceito meu. Basta sair do país e ir até à América do Sul para ver que a cirurgia plástica é do mais banal que há, o que não faltam são promoções em revistas e na internet. É fácil encontrar uma mulher que se submeteu a uma cirurgia plástica. Nos EUA, na Califórnia ou na Flórida, não faltam autocarros com publicidade “Breast Augmentation, call now!”, com promoções, descontos, tudo. Em Portugal é que somos pequenos, vemos a cirurgia plástica como um bicho raro, apenas acessível a quem tem dinheiro a jorros e não é verdade. Não é preciso ser-se milionário para fazer uma cirurgia plástica, nem a publicidade e a forma de divulgar o trabalho devem ser olhadas de lado. Afinal, se não estranhamos a publicidade a um consultório dentário, por que vamos estranhar a publicidade a uma clínica de cirurgia plástica? É uma área de negócio como outra qualquer. E com isto na cabeça fui à consulta.

De todas as consultas a que fui, esta foi a única que paguei (80€ que meti no seguro). É claro que preferimos ter a menor despesa possível, mas quando olho para trás, tenho de reconhecer que o tempo de um médico tem de ser pago. Estive na sala com o médico durante uma hora certa na qual me explicou exaustivamente aquilo que iria fazer, caso decidisse submeter-me à cirurgia. Nenhum outro cirurgião esteve este tempo comigo, nenhum cirurgião me fez desenhos, nenhum cirurgião me mostrou centenas de fotos do antes e depois, fui a cirurgiões que nem me sequer pediram para levantar e tocaram na papada. E queria saber de mim, queria saber quais eram as minhas expectativas, conversou comigo. Uma curiosidade desta consulta foi eu ter afirmado “já sei que vou ficar negra”, o que outros cirurgiões me tinham dito, o que este médico estranhou e respondeu “não! Só se for mal feito. Quer dizer, pode ficar com uma ou outra nódoa negra, mas não é suposto ficar com o pescoço negro!”, o que me fez pensar na informação que me deram antes.

Essa coisa que se vê por aí de “consulta grátis”, a mim não me deixou impressionada. Fui a alguns centros onde falei 10 minutos com médicos que nem me tocaram, fui a outros que só responderam às minhas perguntas e não informaram coisa nenhuma de sua iniciativa, fui a um médico de uma especialidade completamente diferente com um “eu vejo-a e depois paga consulta para o cirurgião ver” (se vou a uma consulta grátis não espero ter de voltar, perder tempo e pagar), e até tive a oportunidade de ser atendida por uma recepcionista, com um “o doutor afinal não está, eu atendo-a”, que por muita boa vontade que tenha, tenham paciência! Esta menina até afirmou que eu não tinha gordura, tinha excesso de pele, “mas é melhor o doutor ver”. E eu não aguento esta falta de profissionalismo.

A minha última opção não só era a clínica mais barata, como foi o que mais gostei, não tinha qualquer reclamação na internet (quando é para reclamar as pacientes já escrevem), pareceu-me o mais humano, mais rigoroso e gostei disso. Respondidas todas as minhas questões, dadas todas as explicações, sem qualquer pressão para avançar na cirurgia, saí do gabinete com um “digo qualquer coisa na semana que vem”. 

Na verdade, acho que saí de lá decidida, queria apenas consciencializar-me de que o iria fazer. Tanto tempo a desejar isto! Tantos anos a pensar numa coisa que me parecia inalcançável, mas afinal podia pagar, não parecia ser nada do outro mundo e com um cirurgião que parecia ser um “porreiraço”. Cheguei a casa, falei com o Poisoned Apple Man, com a minha mãe, e lá me decidi. Ainda a semana não tinha acabado e eu já estava a agendar a lipoaspiração.

Antes da lipoaspiração falei com amigos, contei que finalmente ia fazer uma lipoaspiração da papada e a minha recomendação é que esqueçam, não falem muito com os amigos, a conversa é sempre “mas não precisas!”, “mas tu tens lá papada!”, “tem é juízo” e tive um amigo que fazia olhos de gato abatido e pedia “dá-me antes o dinheiro a mim…” Mas quem olha para estas fotos acha mesmo que eu não tinha papada? Não tinha um bócio, claro que não, mas tinha um depósito de gordura que fazia pregas quando sorria, que me fazia a cara numa bolacha Maria, que me fazia parecer gorda, quando não sou.

Além disso, só percebi mais tarde, eu não tinha um maxilar definido, não se via osso, estava tudo escondido pela gordura e é claro que parecia uma lua. A memória da papada, no meu caso não sendo do tamanho de um pneu de carro, só as pessoas que mais convivem connosco é que sabem dizer e, mais do que essas, nós é que sabemos (aqui não incluo pessoas com visão distorcida da realidade). Há quem diga que não nota qualquer diferença em mim, mas quando se olha para as fotos do antes e do depois, é inegável! Quanto a isso, não fico triste nem é de ficar. Significa que os meus traços não foram alterados, apenas o meu rosto foi melhorado, ficou mais definido e mais magro. E correspondeu totalmente às expectativas.

20 dias depois
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A minha última foto, 40 dias depois da cirurgia, ainda não representa o resultado final, vai ficar um pouco mais magro que isto (portanto, só vai melhorar). Ainda tenho um pouco de inchaço debaixo do queixo que vai passando com o tempo e com massagens que faço a mim própria.

Vamos ao que interessa, como foi todo o procedimento da cirurgia? Foi a coisa mais fácil do mundo.

Cheguei eram 11h45, às 13h40 já estava a caminho de casa.

O PAM acompanhou-me (e foi uma pessoa que me deu todo o apoio nesta decisão) e ficou na sala de espera. Tratei da papelada na recepção, assinei um consentimento de cirurgia, declarei que estava consciente de todos os riscos e informada de todo o procedimento, paguei, dei um beijo no homem e fui para uma sala onde tinha uma “roupa de médico” à minha espera (umas calças e uma camisa sem botões, verdes bloco-operatório). Aqui, eram 12h certas.

Mudei de roupa, o médico tirou-me fotos, marcou a minha pele com um marcador, deu-me um tranquilizante (não que eu achasse que precisasse, não sou medrosa, ia determinada e não sou nervosinha de feitio, mas é assim que é), deu-me um caramelo e deitei-me no bloco ainda com o caramelo na boca que não derreteu até metade da cirurgia.

Toda a lipoaspiração da papada foi feita acordada, com anestesia local, com técnica tumescente. A lipoaspiração tumescente (hidrolipo) é indicada para retirar a gordura localizada. O cirurgião deu-me umas pequenas anestesias no rosto (seringa e picadas mínimas, dói mais uma vacina), quando o rosto ficou anestesiado, introduziu uma solução (como água) com anestesia e outras propriedades que diminuem o sangramento e facilitam a retirada da gordura. Neste processo o pescoço incha com a tal solução. Não tinha um espelho, mas através de uma lâmpada que havia no tecto pude ver algum reflexo de um papão gigante, cheio de “água”. Este processo não dói, sente-se a pele a esticar, pesada. Quanto está pronto, o cirurgião introduz a cânula começa o trabalho que nos levou até ali.

Acho que desde que entrei no bloco até sair, não terá levado mais de 30/40 minutos, passou muito rápido. Fui sempre conversando com o Dr. Seixas Martins, nunca me doeu, apenas me fez alguma impressão ouvir a cânula passar por baixo da pele, calculo, por ser perto dos ouvidos. Mas nada que nos leve a querer sair da cadeira! Apenas um barulho desconhecido no corpo. O tempo que ali estava eu pensava para os meus botões: “deixe-me pele e osso!”.

Temos a sensação que aquilo é feito com uma brutalidade horrível, que ainda nos fura a pele, que vamos ficar todas negras, mas nem uma, não fiquei nem com uma nódoa negra para contar a história.
Acabado o processo, tratou de me colocar uns pensos, colocou a cinta, levantei-me e senti os joelhos muito moles, uma vontade parva de rir como se tivesse bebido uns copos (não sei se foi do tranquilizante), cheia de sono, fui vestir a minha roupa, segui para o gabinete onde o médico me relembrou os cuidados a ter em casa, deu-me o telefone para contactar em caso de necessidade a qualquer hora do dia ou da noite, passou-me uma receita para um antibiótico e um analgésico e fui para casa. Assim simples!

Nunca no processo de recuperação senti dor a não ser ao tocar. E mesmo assim, umas dores de nada, como tocar no dorido de uma pancada. Usei a cinta elástica 3 dias inteiros e mais 7 dias só à noite, mas atenção que esta indicação pode não ser igual para todas.

Escrevi este pequeno diário para que não me esquecesse de vos contar tudo ao pormenor:

Dia 8 – dia da cirurgia
Vim para casa sonolenta, mas bem-disposta. Almocei, refastelei-me no sofá, adormeci por umas três horas. Quando acordei senti que os movimentos bruscos me faziam sentir uma dor semelhante àquela que sentimos quando estamos muito tempo sem ir ao ginásio e abusamos numa aula. Mas é apenas ao tocar ou a fazer movimentos bruscos, fora isso não sinto nada. Tomei um analgésico porque não sei se vai doer, mas não acho que precise. Não tenho qualquer sensibilidade ao toque no sítio da papada, é estranho, como uma anestesia de dentes. Toco, sei que estou a tocar, mas não sinto, só sinto na mão.

Dia 9 – o dia seguinte à cirurgia
Dormi com a cinta, achei que ia ser um inferno, difícil para adormecer, sempre a acordar, mas nada disso, depois de 5 minutos já estava para lá de adormecida. Dormi lindamente, a cinta não me acordou, é confortável. Hoje finalmente pude retirar a cinta para tomar banho e espreitar o resultado. O contorno do pescoço está claramente mais definido, dá para perceber que vai ficar diferente porque a gordura é diferente do inchaço. Fiz a minha higiene pessoal, coloquei a cinta, fui almoçar fora, fui ao supermercado, fui ao cinema, toda a gente olhou e eu não quis nem saber, não me vou preocupar com “vergonhas”. Ao almoço, mastigar foi como trabalhar com um músculo dorido de ginásio. Roçar com a língua no interior das bochechas foi como pressionar uma nódoa negra. São umas dores ligeiras, até me esqueci do analgésico em casa. Não é fácil abrir muito a boca para lavar os dentes nem esticar o pescoço. Nem é uma questão de dor, é mais porque parece que repuxa a pele. A meio da noite o homem, sonâmbulo, perguntou se eu estava bem e enfiou-me a mão no queixo. Vi estrelas, como vê quem esfolou um joelho e tem um “amigo” que vai lá carregar para ver se está bem. Mas passou num instante.

Dia 10 – 2 dias depois da cirurgia
Retirei novamente a cinta para tomar banho, não acho o inchaço diferente de ontem. Saí para ir almoçar com a família, estive o dia todo com a cinta sem dramas. Acho que ao tocar a dor mudou, já não é uma dor de músculos de ginásio, é mais parecida com uma nódoa negra e, como antes, apenas se tocar. Já não sinto qualquer desconforto a comer.

Dia 12 – 4 dias depois da cirurgia
Fui trabalhar sem a cinta, durante os próximos 7 dias só preciso de a colocar quando chegar a casa e para dormir. Notei muito menos inchaço e continuo sem sensibilidade ao toque na papada. O interior das bochechas já não dói ao roçar com a língua. Ao fim da tarde, fiz a minha primeira sessão de drenagem pós-operatória com ultrassons pelas mãos da Patrícia (minha massagista). Achei que ia doer (não é simpático para ninguém massajar a ideia de uma nódoa negra), mas não doeu. Foi até agradável. A Patrícia, ao tocar no rosto e por «memória táctil», disse que é evidente a falta de gordura no contorno do queixo e nas mandíbulas, disse que parece estar bem seco de gordura e apenas um pouco inchado.

Dia 13 – 5 dias depois da cirurgia
De manhã, quando tirei a cinta achei o inchaço mais reduzido, acho que foi da massagem. Esticar o pescoço já não repuxa tanto. Os furos da lipoaspiração estão completamente em crosta. Tenho alguma comichão por baixo do queixo.

E pronto, a partir daqui não escrevi mais nada, é um processo de recuperação normal como quem recupera de uma ferida, nada de invulgar. Fiz várias massagens, fiz ultrassons por recomendação do médico, massajei-me a mim própria e fiz exercícios com a cabeça para ir esticando a pele.

Desde o dia da cirurgia, 9 de Fevereiro, fui relatando no Facebook A Maçã de Eva o minuto-a-minuto dos acontecimentos (quem quiser pode procurar), como foi, como me sentia, publiquei fotos e muitas vezes os comentários (além dos “eu também quero!”) passaram por “ai, que coragem!”, “ai, eu não conseguia!”, “ai que medo”, “ai, tenho medo de ter dores!”.

Desculpem-me a franqueza, mas não há lugar para estas fraquezas. Como pensam as meninas parir, hum? Não vão aguentar com os medos! Não existe "coragem" nesta matéria, é uma questão de vontade: a pessoa quer ou não quer fazer, deseja muito ou não melhorar a figura. Quando uma pessoa quer, quer. Não é "eu gostava", isto não aparece no colo, é preciso tomar a atitude, agarrar a oportunidade e ir em frente. Se é para serem medrosas, não façam, mas eu sou menina para jurar que mil vezes mais difícil do que isto devem ser os partos. No entanto, quase todas as mulheres têm filhos.

Se o que querem dizer com "coragem" tem a ver com medo de morrer, podem ficar descansadinhas. Uma das perguntas que fiz e que parece ter surpreendido o cirurgião foi, "já alguém morreu por causa desta cirurgia?", ao que me respondeu admirado, "não, que disparate! Nem me diga uma coisa dessas!". Ou seja, a minha questão foi para ele um exagero que não se aplica. A lipoaspiração tumescente é segura.

Honestamente, custou-me muito mais quando tirei os 4 sisos com anestesia geral e fui para casa no dia seguinte. A lipoaspiração à papada é peanuts! 

Dores? Zero. Mas quando digo zero não é força de expressão, eu não senti dores nenhumas sem toque directo. Fiz a minha vida normal, não senti latejar, não senti quente e em todo o processo de recuperação tomei apenas um analgésico por precaução, sem na verdade sentir que precisava. Arrisco dizer que não pode existir quem diga “ai, que não aguento isto”. Não pode existir, é a coisa mais simples do mundo, de tal forma que eu não tenho a sensação que já fiz uma cirurgia plástica, sinto mais que me submeti a um tratamento. Lembro-me de uma queda que dei de bicicleta quando era miúda e esfolei as pernas todas. Aquilo sim, doeu. Até guardei na memória.


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© A Maçã de Eva

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